Era o primeiro dia de inverno quando eu o vi. Seus olhos eram tão escuros quanto o seu cabelo. Sua pele era pálida e mal havia um pequeno rubor sobre ela. As roupas escuras e um pouco folgadas davam destaques ao seu exuberante corpo. Ele era magnífico aos meus olhos. Conseguia tirar pequenos suspiros só por estar perto de mim.
Todos os dias eu o via sair de casa, ele era o meu vizinho, e o único que conseguia chamar minha atenção. Até me lembro a primeira vez que ele me notou. Estava chovendo muito, e ele se ofereceu para me levar em casa no carro dele. Meus pais o agradeceram por isso, eles sempre diziam o quanto ele era um bom rapaz, e que qualquer garota teria sorte por ter ele. Eles nunca estiveram tão certos.
Mas existia uma barreira muito grande entre nós. Enquanto eu tinha apenas 15 anos, ele já tinha 24. Embora eu ainda estivesse no colegial, ele já estava fazendo sua faculdade de arquitetura. Eu o amava em silêncio, mas ele me via como sua irmã caçula. E quando ele começou a namorar, eu chorei como nunca. Não saia, não comia, apenas sofria em silêncio. Mas a única coisa que podia fazer era aceitar que nós dois nunca aconteceria.
Meus sentimentos vão e vinham conforme o vento, eu o amei tanto que apenas sofri em descontentamento. No final, mesmo se quisesse, nada iria mudar. Assim eram as noites de inverno, afinal, o inverno sempre vem para marcar.
@phoenix D.