copulavam com o próprio demônio, exatamente como as mulheres parecem fazer com
Drácula, que também dá a elas poder quando as transforma. Como vampiras, são capazes
de atrair os homens para a danação eterna. Tudo isso acontece por causa de Drácula, um
ser estranho que tem poder sobre o tempo e alguns animais, além de ser capaz de
metamorfosear-se em animal ou névoa. Ele exerce um fascínio todo especial sobre as
mulheres – e somente sobre elas: os homens são literalmente imunes a seus encantos. O
conde nem ao menos cogita a idéia de transformar qualquer um deles em vampiro, com a
exceção de Jonathan, enquanto o mesmo estava preso em seu castelo. Curiosamente, após
sua fuga, tal possibilidade parece desaparecer da mente do conde. O advogado consegue
até manter o autocontrole durante todo o resto da história; algo deveras curioso, tendo em
vista seu total descontrole emocional no castelo. É como se após ter passado por
provações, neste caso, Drácula e as mulheres-vampiro, tenha se purificado, tornando-se
imune ao pecado como os santos.
Na verdade, todos os homens do livro – com exceção daqueles tomados pela
loucura, como Renfield, ou pertencentes a raças “inferiores”, como os ciganos que
ajudaram Drácula em sua fuga – tem a mesma força de caráter, não se deixando levar
pelas armas de sedução dos vampiros. Assim, só resta às vampiras deleitarem-se com o
sangue de crianças: as três vampiras no castelo recebem um bebê das mãos de Drácula
como compensação por terem sido proibidas de sugar o sangue de Jonathan. Lucy, após
a transformação, ataca somente crianças e quando os caçadores de vampiros a encontram
em sua tumba, prestes a morder mais um bebê, ela tenta seduzir seu antigo noivo.
Naturalmente, não consegue vencer a força masculina.
Todos os cinco homens que fazem parte da cruzada contra o vampirismo, com
exceção de seu líder, Van Helsing, tiveram que lutar contra algum tipo de fraqueza, neste
caso, a mulher. Arthur, Seward e Quencey estavam apaixonados por Lucy, acabando por
vencer esta paixão e Jonathan foi capaz de escapar dos beijos e abraços das três vampiras.
Como poderia ser diferente? Afinal, segundo a crença vigente no período, o
homem detinha o discernimento e a razão, impossibilitando a Drácula envolvê-los em
suas teias enganadoras. Já as mulheres, por serem fracas e propensas ao pecado, caíam
como moscas em suas garras.
Existe no romance uma tentativa de fazer do sexo algo impensável nas relações ditas
normais. Nenhum dos relacionamentos é consumado sexualmente, incluindo o de Lucy e
seus pretendentes e o de Mina e Jonathan, mesmo após o casamento. Somente no final,
quando a ameaça do vampiro é apagada, Mina engravida.