Berlin
Nada pode mudar o que eu sinto agora, o que eu vejo e o que eu sei, tudo pode ser o oposto do que está sendo futuramente, mas aqui e com esse aperto no peito, eu quero manter o que eu sou, enquanto eu o vejo através daquela madeira, enquanto eu tremo minhas mãos ao saber que nunca mais vou vê-lo novamente, beijá-lo e rir de suas piadas novamente, meu marido, o qual eu vivi mais de 30 anos em um casamento muito bem realizo, está à me deixar à cruzar o portal entre a vida e a morte, Aaron era o nome dele e ele me fez uma promessa no nosso primeiro aniversário juntos que ele não pode comprar, ele me prometeu não ir antes de mim, mas aí está o meu corpo, já sem o seu espírito e longe do meu vestindo essa roupa preta e triste, estou com os meus olhos fixados naquilo que era mais importante para mim e não me importo com quem veio ou não, se despedir do amor da minha vida, entretanto, eu sinto falta de um abraço caloroso, falta de um apoio e até um palavra de conforto, por isso dou um passo para trás e sem ao menos pedir, sinto as maos do meu filho Saymon tocarem os meus braços gelados, eu me viro um pouco e o deixo me abraçar, em seu peito, eu me conforto.
Prazer, sou a Martha.
Andando Pelo o Cemitério
Ainda nos braços do meu querido filho, Saymon eu não consigo controlar as lágrimas que surgem pelo os meus olhos, eu não sou uma mulher sentimental, isso não é um fator sobre mim, contrário, eu sou forte como uma rocha e fria como Alasca, mas eu perdi o amor da minha vida ontem, eu estava à pouco minutos entregando o seu corpo, eu não consigo ser eu mesma com a dor que invade a minha alma, eu não consigo esconder a ferida e continuar andando, não agora, não consigo ser nada além da viúva e da mulher que de luto se embriaga.
Saymon: Já contou para Raika?
Elevo meu rosto para os olhos entristecidos do meu filho mais velho e dou um sinal negativo.
No Carro à Caminho de Casa
Estou com o meu olhar na estrada, posso notar a neve que cai do céu, posso observar bonecos de neves sendo decorados por crianças e adolescentes freneticamente alegres e eu posso sentir o sorriso do meu marido em minha memória, ele amava a neve, amava fazer bonecos de neve, isso é como ter-ló por perto.
Chegando em Casa
Estou exausta e não busco atender ninguém de dentro e muito menos de fora da família, ao lado meu filho que me acompanha até os meus aposentos, e segura em minha mão quando chegamos, ele está cansado e com a voz rouca.
Saymon: Precisando, estarei no quarto de hóspedes.
Aperto suas mãos em forma de comprimento.
Martha: Já fez o bastante por hoje, vá descansar.
Saymon beija a minha mão.
Saymon: Te amo, mãe.
Acaricio o seu rosto com minhas direta e sorrio.
Martha: Também te amo, meu filho.
Dou as costas e meu filho fecha a porta.
Me acomodo no sofá encostado na minha cama e me curvo um pouco, levando minhas mãos para o rosto, estou tão cansada de tudo que passei que nem tive tempo de descansar um pouco, com os olhos fechados um pouco, eu começo a me recordar de como era esse quarto quando era invadido pela alegria e sensualidade do Aaron, sinto uma profunda felicidade ao enxergar a imagem minha e dele felizes, dançando em volta da cama.
É um verdadeiro encanto o vê me encarando com os seus olhos azuis, tocando sua mao em minha cintura e os lábios encontrando o meu, lágrimas escorrem pelo o meu rosto ao me lembrar da noite romântica que ele fez pra mim.
Era tudo tão simples, mas tudo tão carinhoso, bem feito para me encantar, não à homem como o homem que Aaron foi, em todos esses 30 anos juntos, não houve brigas, traições e muito menos desgaste do nosso casamento.
Em meia lembrança, eu encontro um sono, um travesseiro para abaixar minha cabeça e o rosto do meu marido na minha frente me observando enquanto eu não pego no sonho, o que não demora muito.
Fechando os meus olhos e me mergulhando em um sono tranquilo e necessário, nele, eu tenho um sonho, um sonho com Aaron dentro de um e me encorajando a pular de um barco e ir ao seu encontro, eu sinto medo, mas me jogo naquelas águas geladas, mas quentes quando me aproximo para o abraço do amor da minha vida.
Assim que acordo, eu olho para a janela e já está escurecendo, olho para o rádio relógio e posso vê que passa das cinco da tarde, sinto por ter dormido tanto, mas paro de reclamar, já que esse sonho me fez muito bem, sonhar com o pai dos meus filhos me fizeram melhor ainda, e por falar neles, eu me levanto e vou para o banheiro me olhar no espelho.
Não estou muito mal, mas também não estou nada bem, tiro a maquiagem que desenha o meu rosto e fico como sou, sem batom, sem base e sem nada, eu não sinto vontade de ficar ajeitada nesse dia triste, necessito me sentir básica.
E sem tirar minha roupa e nem meus sapatos, eu caminho até a porta e a abro, antes de dar um passo à frente, eu digo a mim mesma para ser forte e poder manter minha família em pé, não posso deixar que ela se desfaça agora.
Ando pelo o corredor e novamente eu volto a ver o meu marido nele, andando apressado para o trabalho, deslizando de meia imitando uma cena de um filme, e até com as crianças cansadas em seu colo, eu nao sei como o processo de luto funciona, mas me conforto em saber que ele continua em mim, lembrar-lo me fez sentir menos dor no peito e na cama, as lágrimas escorrem pelo os meus olhos escorrem mais tranquilas, pois eu sei que eu o amei da forma certa e ele fez o mesmo comigo, não à lamentos e nem nada para mudar em todo caminho que foi o nosso casamento.
ANDAR DE BAIXO/SALA
Entro e encaro todos presentes nesse cômodo.
Eles me encaram de volta.
Martha: Do que falam?
Saymon se levanta, aproxima-se de mim e coloca sua mão direita em meu ombro.
Saymon: Não precisa se preocupar com nada neste momento.
Isso me dá um pouco de desespero, da última vez que ouvir isso do meu filho, o avião do meu marido tinha caído e o seu corpo estava desencontrado.
Martha: Por favor, alguém pode me contar o que está acontecendo?
Klaus, meu filho do meio, se levanta e olha diretamente nos meus olhos.
Klaus: Norma está de volta à cidade.