— Essa é uma das bases da empresa S.U.T, antigamente ali só era uma casa velha em lugar isolado mas, os anos se passaram e o governo comprou todo esse terreno, transformando em empresa que você agora. Muita gente passou pela S.U.T, eles ofereciam serviços com ultra tecnologia, onde pessoas pudesse. viver coisas que jamais conseguiriam em suas vidas. Mais alguns anos se passaram e S.U.T experimentou o declínio. — Estamos na área externa contemplando esse grande prédio da empresa, um lugar isolado de tudo e de todos, o grande deserto em nossa volta. Essa é uma das bases da S.U.T.
— Informações demais pra minha cabeça. Viemos aqui para fazer o que mesmo? — Camila é uma das novas funcionárias da empresa, somos uma dupla que trabalha no ramo das tecnologias.
— Pegar os documentos, já que vão fechar essa base.
— Mas porque vão fechar? Se bem que, faz pouco tempo que entrei nessa empresa e tô vendo que tão fechando um monte de bases da S.U.T. — Entendo o questionamento dela, e isso me preocupa, é o meu trabalho em está aqui, temo o futuro.
— Algumas das vítimas que foi a público denunciar a S.U.T disse que alguns funcionários a colocaram em experimento secreto. Claro que a justiça não acatou a denuncia da vítima, mas houve investigação e descobriram que teve sim experimentos, e essa base é uma delas, por isso disse que a S.U.T está experimento o declínio, mais uma base sendo fechada. — Permanecemos caminhando em direção a base vazia e isolada. Camila não falou mais nada após escutar tudo que eu disse.
Entramos na empresa, tudo está silêncio e sem sinal de vida por perto. Nosso trabalho é rápido, apenas pegar documentos e ir embora, fizemos isso em duas bases ontem, mas deixamos esse por último.
— Caraca, parece que houve um furacão aqui.
— Sim… — Caminhamos na recepção, que se encontra bagunçada e em desordem. Isso me faz ter certas lembranças.
— E essa tv aqui, antiga pra uma empresa desse calibre né? — De fato, é uma tv de tela fina, até esqueci como se chama, a minha cabeça está em outro lugar no momento. — Vou ser sincera, esse prédio é todo estranho, a estrutura dela me remete a algo… estranho, é, não tenho outra definição. — Ela caminha lentamente pelo salão principal enquanto continuo aqui na mesa da recepção para ver se acho alguma coisa, e nada por enquanto, precisamos mesmo é ir na sala do chefe.
— Eduardo — Ela me chama novamente, apesar de falar muito, gosto da companhia nela, é uma boa moça.
— Fala.
— Sobre a acusação que fizeram a essa base, era verdade?
— Sim. — Ela olha para mim com seus olhos castanhos e cabelos ondulados, a curiosidade em saber o que aconteceu cativa a Camila.
— Você acha que é possível? Tudo que fizeram? — Ela me fez ficar pensativo em responder essa pergunta.
— Sim… Um mundo onde não exista pesadelos ao dormir eu não acho que seja uma má ideia, mas o mundo decidiu que é, então não posso fazer nada — Respondo sua pergunto forçando um sorriso, eu só quero ir pra casa, não estou afim de conversar…
— Eu queria não ter mais pesadelos. Imagina dormir desse jeito? Sem acordar no susto e com medo, sei lá… Eu tenho muito.
Eu não falei mais, e depois de uns minutos ali, fomos ao elevador em direção ao último andar do prédio. Por incrível que pareça, ainda tem energia suficiente para o elevador funcionar, o mínimo né.
Estamos nos dois aqui dentro, ela clica no botão dez, o último andar da base, e o elevador começa a subir, até que de forma lenta, mais do que o normal eu diria. Camila é toda faladeira, finalmente está quieta, mas ao olhar para ela, vejo que está inquieta.
— Que foi?
— Nada, eu só… acho que estou cansada — Acompanho os olhos dela, e ela não para de olhar para o teto do elevador, sua testa chega a suar com a atenção que vejo nela.
— Tem certeza Camila? — Pergunto mostrando uma genuína preocupação, acho que ela tem medo de elevador.
— Tá tudo bem, só… Sobre o pesadelo… Como funcionava? — An? Camila do nada pergunta sobre isso de novo? Acho curioso o tamanho da curiosidade que ela tem.
— Porque quer saber disso agora?
— Eu não sei… estou… eu não sei…
Ela está estranha, ao olhar para o teto do elevador, noto cabelos pretos e longos, não lembro disso já está aqui.
— É disso que está com medo?
— Você também está vendo? — Ela pergunta, mas antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, o elevador se abre no décimo andar. Camila sai primeiro que eu, eu retorno o olhar para o teto, e aqueles cabelos já não estão mais lá. Estou ficando louco?
Saio do elevador e me encontro em um pequeno corredor, Camila está parada de frente a porta do chefe. Escuto seu choro, a sua postura está estranha e toda chorosa.
— Camila… Está bem? Não está acontecendo nada, não precisa ter medo, eu estou aqui
— O que era aqueles cabelos Eduardo — Sua cabeça se vira para mim, e me aproximo dela e coloco minha mão em seu ombro, procurando acalmá-la.
— Não era nada, vamos resolver as coisas e sair daqui. — Ela abre a porta rapidamente e entra na sala, enquanto fico no lado de fora. Me viro para trás com corpo tremendo e braços suados, corredor escuro e mal iluminado, vejo cabelos no teto e uma grande figura de vestido branco preso nela, seu rosto é todo cinza com sorriso de orelha a orelha, olhos amarelos. Não posso ter medo, calma, isso não é real, não é real… Entro na sala e tranco a porta, não quero transparecer medo para Camila.
Até que reparo que Camila está de joelho no centro da sala, chorando. Não posso ter medo, não posso ter medo, não posso ter medo.
— Camila? — Me aproxima dela, e devagar ela vira seu rosto, e suas lágrimas são de sangue, toda sua bochecha escorrem gotas vermelhas caindo no carpete. Me afasto dela.
— Eduardo… O que está acontecendo? — Ela leva suas mãos ao seu rosto, contorcendo todo o seu corpo, escuto sons de ossos quebrando, fazendo ela cair no chão completamente torta. Continuo estático vendo tudo aquilo diante de mim. Não posso ter medo.
— Não tenha medo Camila… — Me aproxima do corpo dela, e o seu choro copioso ganha o grande som naquela sala.
— Ela está aqui, ela está aqui, a mulher de olhos amarelos, ela está aqui. QUEIMAR, QUEIMAR, QUEIMAAAAAAAR — Seu desespero é nítido naquele momento, ela ignora tudo que eu falei.
Meu corpo fica todo embrulhado pela sensação caustrofobica que isso se tornou. E uma nova figura surge em cima da mesa que se encontra na sala. Vejo um corpo todo esfaqueado com a máscara do porco, olhando para mim. Não sei o que está acontecendo, mas os meus olhos também saem lágrimas de sangue, e contemplo o corpo todo estourado da
Camila diante de mim. Não posso ter medo.
— Encerrar programa Pesadelo — Eu falo quase perdendo meus sentidos.
……..
Acordo no pulo, e tiro o capecete da minha cabeça e respirando muito forte. Meu corpo está intacto, mas o da minha parceira não.
A minha sala é toda branca e tem vários aparelhos espalhados, as paredes são de vidros, e consigo ver outras salas como a minha. Me levanto da cama e tiro vários cabos do meu corpo, ando até o computador e preparo o relatório.
"Experimento Oitenta e Oito finalizado, paciente não resistiu"
Escrevo o relatório e envio para a central. Através da parede de vidro consigo ver outros doutores como eu fazendo o mesmo. Eu olho para o corpo da Camila, está totalmente sem vida. Mais um que deu errado.
Eu sinto meus olhos lacrimejando. Não tenho controle com as lágrimas que insistem em se expressar sem o meu consentimento, levo minha mão aos olhos não percebendo no primeiro segundo que as lágrimas que saem de mim são de sangue.