"Cale-se, banhe seus lábios nos meus.
Lambuze sua luxúria na minha pele,
Faça-me ser estremecer em suas mãos."
Geovana escrevia rapidamente as letras curvadas no diário pequeno, adorava escrever seus desejos em um pedaço de papel e deixava o mais escondido o possível. Se sua madastra sonhasse em ver isso, estaria literalmente morta já que nem assumida ela era.
Diferente de outras garotas que sonhavam com o clichê "príncipe encantando." sonhava com sua "princesa da sorte."
Sua princesa da sorte seria uma mulher com um e sessenta de altura, com pensamentos diferentes das outras mulheres ou garotas que já conheceu, bonita e obviamente...atraente para um caralho, palavras da própria Geovana.
E Geovana já tinha sua mulher nos pensamentos...tinha nome e uma beleza de matar.
Seu nome é Brenda. Irmã mais nova de Sara, sua madastra.
Ela é a mulher mais linda que Geovana já viu. Brenda era uma mulher de verdade, uma mulher de vinte e cinco anos, uma mulher inteligente e bonita, uma mulher gentil e educada, uma mulher que não rebaixava as outras mulheres e tratava todos iguais, uma puta de uma gostosa mesmo.
Não era qualquer mulher, e sim a mulher que ela queria e desejava.
....
Mordo meu lábio inferior pela terceira vez, levanto meu olhar para cima por breves segundos vendo a mandíbula delicada e os cachinhos soltos pelos ombros expostos. Merda, como ela conseguia ser tão linda e extremamente gostosa lendo um simples livro?
Eu estava na poltrona da sala com o meu pequeno diário no colo e uma caneta cor roxa na mão, na minha frente estava Brenda sentado no sofá com as pernas cruzadas e sua mão esquerda cheia de anéis caros segurando o livro. Brenda tem cabelos enrolados na altura dos ombros, seu rosto era marcante, seu corpo magro e com várias curvas, piercing na sombrancelha, pernas finas e bunda grande, olhos marcantes e com brilho.
Brenda inspirava muito nas minhas frases de luxúria, ela é a única mulher que me deixava assim.
"Não pense, não imagine, não hesite.
Apenas faça, cubra teu corpo ao meu.
Provoque arrepios, deixe meu corpo febril."
Sinto meus pés inquietos quando acabo de escrever, isso me deixava animada. Um desejo acumulado é tão excitante e doloroso.
— Ana? — estremeço pela voz de Brenda me chamando. Desde semana passada ela fica me chamando desse apelido e isso me deixava muito nervosa e ansiosa. Qual é, eu sou apenas uma garoto de dezoito anos com os hormônios quase rasgando minha pele.
— Sim? — respondo baixo, fechando discretamente meu diário. Mordo a ponta da minha língua ao ver seus olhos cravados em mim como se me estudasse, como se me lesse igual aos seus livros.
— Desculpa perguntar, mas o que tanto escreve nesse caderno? — Brenda fecha seu livro ao perguntar e nesse momento sinto minha respiração ficar presa, droga.
Merda, então ela reparava nas coisas que eu faço? Droga! O que eu vou falar? Diga que é apenas desenhos, Geovana!
— Ahn, são...apenas desenhos! — digo um pouco alto, me sentindo envergonhada logo depois. Minha nuca se arrepia ao ouvir sua risada.
Engulo seco ao sentir seu olhar percorrer por meu corpo.
— Desenhos? Eu posso ver? — Harry pergunta com diversão na voz, arregalo meus olhos ao ouvir. Rapidamente aperto o meu diário com força.
— Ahn, me desculpa...isso é algo pessoal, Brenda — digo tropeçando nas palavras.
— Algo pessoal? Mas você disse que são apenas desenhos, Ana — mordo meu lábio inferior ao ver Brenda levantar do sofá, colocando suas mãos no quadril e vim na minha direção.
Porra, ela tinha que usar esse decote logo hoje? Não pensa, Geovana.
Droga, eu tenho uma quebra por mulheres que seios pequenos e...não pensa, caralho!
— Sim, são desenhos só que... — sorrio sem graça, que desgraçada.
Ela franziu a testa esperando que eu respondesse os contras dela ver os "desenhos" que eu estava fazendo.
— Não estão prontos ainda e... — aperto o diário com mais força quando ela fica totalmente na minha frente.
Não olhe pra cima, não olhe pra cima, não...
Mordo discretamente o interior da minha bochecha quando olho para cima e vejo Brenda me olhar fixamente. Mulher, se você me olhar com essa cara enquanto eu estiver te chupando ou socando meus dedos com força em você, eu juro que eu vou ter um infarto e morrer.
— Licença, Ana — ela pega o meu livro e como eu estou praticamente hipnotizada não tive tempo de pegar de volta.
Eu estou fodida, se ela lesse essas frases que praticamente são os meus desejos por ela, ela vai me julgar ou até mesmo contar pra minha madrasta.
Sem pensar muito levanto da poltrona em um pulo e tento pegar o meu diário e sem sucesso já que ela esconde atrás de si. Eu sou mais alta que ela só que ela tinha mais poder para me deixar fraca.
— É sério, Brenda. Me devolve o meu diário, eu realmente não terminei de desenhar — minha voz estava baixo e suplicando em desespero para ela me devolver, minha mão direita bagunça meu cabelo em frustração e medo.
Brenda apenas encara fixamente meus olhos, inclinando seu corpo pra frente e tombando a cabeça para o lado como se tivesse debochando de mim ou até... duvidando?
— Não entendi, Ana.
— Ahn? — Não entendeu? O que?
— Você disse que estava desenhando só que em um diário? — Merda.
Sorrio sem graça e eu tinha certeza que minha cara estava engraçada.
Mano, eu sou muito burra, puta que pariu!
— Não, não! É que eu... — sinto meu corpo ficar quente por conta da vergonha que estou passando e fica mais quente ainda quando vejo suas mãos abrirem meu diário onde eu estava escrevendo.
— Uau, sua letra é bonita. — Brenda diz sorrindo passando os dedos nas folhas, eu estou ferrada.
Aperto meus punhos com força ao lado do meu corpo.
Ela vai achar que eu sou ridícula por escrever bobagens assim, eu tenho certeza disso, eu sei que ela lê bastante mas eu tenho certeza que são romances ou ação, ela vai me chamar de pervertida ou até mesmo...
— Aqui — sou tirada das minhas paranóias quando sinto algo duro cutucando minha barriga, pisco várias vezes e olho para baixo vendo meu diário pressionado contra minha barriga.
Ela estava devolvendo o meu diário.
— O que? — ela sorriu e cruza os braços.
— Não vou ler suas coisas pessoais, isso é algo seu e eu não tenho o direito disso — entreabro meus lábios, um tanto chocada.
— Mas, você disse que... — paro no mesmo instante assim que vejo-a morde levemente o lábio inferior.
— Eu já disse, não vou ler algo que você não permite, Ana — Brenda começa a dar pequenos passos para trás. — Aliás, não sei se ouviu mas Sara está chamando nós para jantarmos — e a única coisa que vejo são suas costas, saindo daquele local.
Instantâneamente olho para o meu diário agora em minhas mãos.
Por mais que essa mulher seja o motivo dos meus surtos, eu nunca vou entender sua mente.