--- O Conde Devasso ---
Londres Primavera de 1827, de acordo com as convenções sociais um homem solteiro ao atingir 22 anos, e que fosse possuidor de uma boa fortuna, necessitava de uma esposa. Porém se o homem em questão possuísse um título de nobreza, ele com certeza precisava com maior urgência de uma esposa para lhe dar herdeiros e assim assegurar a linhagem.
George Baker já tinha completado 22 anos e estava prestes a fazer 23, a pouco mais de dois anos tinha se tornado o conde de Baker, ele também possuía uma vasta fortuna que vinha atrelada ao título, além do fato de ser um dos donos de uma construtora que tinha prosperado bastante no ramo da construção civil, de fato George possuía uma vasta fortuna para umas 10 vidas bem abastada.
Porém quanto a esposa... isso era bastante complicado!
A palavra intenso era o que definia George, ele era um homem intensamente bonito, intensamente alto com 1.90 de altura, intensamente másculo, seus cabelos eram intensamente negros. A única coisa que George não tinha de intenso eram seus olhos, que eram de um tom de azul claro, quase que pacificadores.
George Baker tinha se tornado o Conde de Baker a pouco mais de 2 anos depois do falecimento de seu pai. Sua mãe faleceu meses após ele nascer, então dessa forma ele foi criado pelo pai que era um homem bastante severo e rígido, que a única coisa que fazia era cobrar perfeição de George.
Desde que nasceu George foi criado e treinado para ser o futuro conde de Baker, ele não teve uma infância como a dos amigos, ele não podia correr, subir em arvores, praticar esportes de grande perigo, pois como todos sempre diziam a vida dele era muito valiosa, dessa forma a infância dele foi somente de estudos e ensinamentos de como ser conde.
Os melhores momentos que George se lembrava da infância era quando ele ia passar alguns dias na a casa de sua tia Petúnia, que era irmã de sua mãe.
Sua tia Petúnia era viúva e tinha duas filhas, mas não teve filhos homens, então dessa forma ela mimava e cuidava de George como um filho.
Ela e Romilda que era a governanta da casa de seu pai, foram as figuras maternas que George teve na vida, e constantemente elas o enviavam cartas dando sermões sobre a vida promiscua que ele estava levando e que já estava na hora dele se casar.
Pela sociedade George era conhecido como o conde devasso, uma fama que ele tinha recebido justamente, pois afinal de contas ele já havia seduzido mais mulheres do que qualquer pessoa se daria o trabalho de contar.
E a qualquer lugar em que ia, ele deixava uma vítima de sua sedução, ele amava as mulheres, já tinha se deitado com várias, muitas até ao mesmo tempo, pois como ele mesmo dizia “quanto mais melhor” e ele conseguia satisfazer cada uma delas.
E as mulheres o adoravam e o idolatravam, pois ele era um dos poucos homens que parecia se importar tanto com o prazer delas quando com o dele próprio, essa forma ele ficou conhecido entre as mulheres como o amante lendário.
Com toda a certeza ele amava aquela fama, contudo a sua tia constantemente falava que a vida promiscua dele e o fato de se envolver com tantas mulheres, era um grande pecado. Contudo ele sempre ele alegava para a tia que ele era solteiro e que jamais se deitou com uma virgem ou com mulheres casadas.
Porém para ser bem sincero, ele tinha se envolvido sim, com virgens, mas não que ele tivesse o costume de seduzir e corromper mulheres inocentes, as virgens que ele se relacionou agiram por vontade própria e todas com o desejo de conhecer um pouco mais dos prazeres da vida. E se uma mulher o procurava em busca de prazer ele que não se negaria, mas sempre ele fazia de forma que não as desvirginassem caso elas viessem a se casarem um dia.
E com mulheres casadas, ele se deitara por varias e varias vezes, tanto que naquele ponto ele já tinha virado especialista em escalar e pular janelas. Mas ele tinha a consciência limpa em tais atos, pois em geral ele se envolvia somente com aquelas no quais os maridos eram profundamente desagradáveis e as negligenciavam. Então ele tinha plena consciência de que nunca destruiu nenhum casamento que não estivesse destruído.
Mas agora George precisava se casar, pois como ele não tinha irmãos, se ele morresse naquele momento não teria herdeiros para deixar o condado e seu primo Ednaldo seria o próximo na linha de sucessão, e todos sabiam que Ednaldo era uma pessoa terrível e maldosa.
Porém a questão de conseguir uma esposa era bastante complicada, pois os pais que conheciam a fama de George, não iriam deixar com que as filhas se casassem com um homem que tinha uma fama de ser extremamente libertino.
E as mães das moças tão pouco iriam querer que as filhas se aproximassem dele, e ainda tinha o fato de que ele já se deitara com algumas das mães das moças, dessa forma ele não poderia se casar com a filha sendo amante da mãe, e isso era demais até para ele.
A fama de George era tão suja e preta que muitos achavam que ele era um grande patife sem coração... mas a realidade era que ele já teve sim um coração, que foi partido por varias vezes.
--- O conde Apaixonado ---
Por ser muito sozinho, quando criança George costumava receber o convite de sua tia Petúnia para passar alguns dias em sua casa de fazenda em Cambridge. Dessa maneira era uma forma dele não ter que ficar com o seu perverso pai, então mensamente George tinha o costume de ir para a fazenda da tia.
Em uma dessas estadias na casa de sua tia Petúnia, aos 10 anos de idade George conheceu Gisele uma menina de 8 anos, ela era a filha mais velha do administrador da fazenda de sua tia.
Desde do momento que ele viu Gisele pela primeira vez, ela e George se tornaram grandes amigos, e agora além do fato de querer ficar longe do pai, ele mensamente ia para a fazenda da tia para poder rever e brincar com sua amiga.
Quando George fez 13 anos a vida dele passou por mudanças, ele tinha deixado de estudar em casa com tutores e passou a estudar no colégio interno de Eton, dessa forma ele já não conseguia ir mensalmente a casa de sua tia, e para sua tristeza não poder ver Gisele com maior frequência, mas sempre que entravam as férias escolares ele ia passar alguns dias na casa da tia e assim poder ver Gisele.
À medida que o tempo foi passando George começou a se apaixonar por Gisele, ele a achava gentil, divertida, carismática e linda, ela parecia uma boneca com seus cabelos loiros, olhos azuis escuros, sua boca rosada e um sorriso que fazia seu coração derreter.
A paixão que ele tinha por Gisele era tanta que aos 14 anos os seus colegas estavam iniciando suas vidas sexuais indo a bordeis e prostibulos, mas George decidiu que esperaria por Gisele. Ele sabia que seria uma longa espera, já que a menina tinha apenas 12 anos e as mulheres somente eram apresentadas a sociedade aos 15 anos.
George não se importava em ser o último da turma a se deitar com uma mulher, ele iria esperar e esperaria o tempo que fosse preciso, pois para ele nenhuma outra garota serviria que não fosse Gisele.
Contudo aos 15 anos ele foi levando em um prostibulo pelo seu pai, para que ele se tornasse homem, mas naquela noite e em várias outras George não se deitou com nenhuma mulher, para a mais total decepção de pai.
George estava intensamente entregue aquele amor, contudo depois de meses veio a primeira decepção com Gisele ...
Aos 16 anos, George sofreu sua segunda decepção, e ele teve seu coração partido, o que fez ele quebrar a promessa de que nunca se deitaria com uma mulher que não fosse Gisele
E a terceira decepção veio quando ele tinha 18 anos, essa lhe deixara uma cicatriz no ombro esquerdo, contudo a pior cicatriz foi deixada em seu coração a anos antes.
Após o fatídico evento George varreu Gisele de seu coração, e jurou para si mesmo, que as mulheres para ele seria somente como meros objetos que ele usaria e logo descartaria, que fosse por prazer e depois para lhe dar herdeiros, porém nunca mais ele amaria ou se deixaria fazer de tonto por uma mulher.
E assim George seguiu a vida sendo carismático, alegre, charmoso, sedutor, inabalável, frio, calculista, promiscuo, libertino, sendo o destruidor de casamentos, o devorador de virgens, e sempre vivendo a vida como uma festa. O que lhe rendeu o apelido de o amante lendário e após receber o título de conde, ele se tornou o Conde Devasso
E a cada vez mais ele tendia a seduzir muitas e muitas mulheres, procurando prazer com elas para apagar a lembrança de uma única mulher.
E ele tentava se enganar fingindo não notar que mulheres tinham as mesmas características de Gisele, loiras, olhos azuis e estatura mediana, e que na cama ele tendia a imaginar que fosse Gisele e não uma outra.
Algumas vezes no ápice do prazer, quando a dor em seu coração era dilacerante, ele esquecia-se e gritava o nome de Gisele muitas vezes a ponto de até chorar. O que era extremamente constrangedor, mas as suas amantes eram discretas e fingiam não notar e nem mencionavam o fato, até porque ele as pagava uma gratificação extra e elas tendiam a se esforçarem mais para satisfaze-lo e fazê-lo esquecer a outra.
Contudo nenhuma conseguiu fazê-lo esquecer de Gisele, não tinha um dia que o rosto dela não viesse na cabeça dele, sua voz, seu sorriso, sua pele, e sua traição.
Nem mesmo ele podia se embriagar para esquecer a maldita, pois muitas vezes quando estava bêbado ele chorava por ela. Era vergonhoso todas as vezes em que seu amigo e socio Oliver teve que tirar ele da mesa de um bar ou de ficar deitado ao relento chorando e gritando por Gisele. Mas como um bom amigo Oliver fingia que nada tinha acontecido e nem fazia perguntas.
Mas para George uma coisa era certa, no mundo parecia não ter mulher que pudesse remendar seu coração despedaçado e sua alma corrompida
George sabia que sua alma não tinha salvação, tanto que ele parou de frequentar a igreja aos domingos, para o desgosto de sua tia. Mas ele não via motivos para orar por sua alma, pois se tinha um pecador que merecia ser castigado, ninguém seria melhor escolha que George Baker.
Havia dez dias que George tinha recebido uma carta de seu advogado, informando que seu primo Alec aos 28 anos tinha falecido devido a uma pneumonia
George não era próximo e tão pouco conviveu com primo, mas ele achava Alec uma boa pessoa e como George não tinha irmãos ou herdeiros, caso ele morresse, Alec seria o próximo na linha de sucessão ao título de Conde de Baker.
Porém com a morte prematura de Alec, o próximo na linha de sucessão do titulo de Conde de Baker seria seu outro primo Ednaldo e esse sim era a pessoa mais abominável, detestável sem escrúpulos da face da terra.
Se Ednaldo se tornasse o Conde de Baker muitas famílias que eram arrendatárias das terras do condado estariam na rua da amargura já que o primo não era nada empático. E ainda tinha o fato de que a tia petúnia que ficou viúva a alguns anos e suas filhas mais jovens, eram tuteladas pelo condado, e assim elas também estariam nas mãos de Ednaldo que era um homem deplorável que machucava mulheres.
Dessa forma George não via outra alternativa a não ser se casar e produzir herdeiros para o condado, pois ele não podia deixar as pessoas, a tia e as primas na mão daquele terrível homem.
Sendo assim após dois anos morando na Escócia, George retornava à cidade de Londres na Inglaterra, e ele estava decidido a participar da temporada e encontrar uma noiva.
E esse casamento não passaria de um mero negócio, ele precisava de uma noiva em boa idade fértil para lhe dar herdeiros e que depois ele pudesse esquece-la.
Esse era um pensamento um tanto quanto desalmado se casar para usar a esposa e depois fingir que a pobre não existia, mas ele já sabia que a maioria dos casamentos eram simplesmente acordos, então ele não seria o primeiro e nem o ultimo homem com esse tipo de pensamento.
Logico que muitos casais acabavam se apaixonando devido a convivência, mas ele não esperava que isso pudesse acontecer com ele também, pois ele sabia que seu coração estava fechado para o amor e na vida ele somente amou uma mulher e essa o feriu impiedosamente.
E George ainda conseguia se lembrar do dia em que conheceu Gisele ...
--- Cambridge\, 12 anos antes ---
Aos 10 anos de idade, como de costume George estava indo passar alguns dias na casa de fazenda da sua tia Petúnia em Cambridge.
Em sua comitiva de viagem estavam presentes seu criado pessoal Justino e Alfredo que era seu preceptor escolar, já que o pai exigira que ele não devia deixar de lado dos estudos.
Ao chegar na casa da tia depois de quase um dia de viagem, George é recepcionado com um apertado abraço de sua tia.
Petúnia: meu querido, que saudades eu estava de você
George: também senti saudades da senhora.
Petúnia: acho que você cresceu, desde da ultima vez que te vi – ela fala com um largo sorriso
George: nos últimos dois meses? – ele pergunta sorrindo
Petúnia: sim, mas vamos lá para dentro. Eu terminei de fazer a sua torta de maçã preferida, daqui a pouco a criada vai tirar do forno.
George: oba – ele amava a torta de maçã da tia
Ao entrar na casa George logo percebe que sua prima Gabriela de 9 anos não estava na casa
George: cadê a Gabi?
Petúnia: ela foi ficar alguns dias com a madrinha lá em Northampton, para que pudesse aperfeiçoar as aulas de violino, a madrinha dela foi uma excelente musicista
George: entendi – ele fala um pouco chateado pois em geral era a prima que fazia companhia a ele
Petúnia: você ainda tem praticado piano?
George: sim
Nesse momento George ver uma menina de uns 8 anos de idade, com os cabelos loiros e olhos azuis escuros, entrar na sala
Petúnia: Gisele, você veio me dar algum recado? – ela pergunta sorrindo para a menina
Gisele: sim, o meu pai me pediu para avisar a senhora que o fornecedor de tapetes acabou de chegar
Petúnia: ah sim, que ótimo.
Ela fala sorrindo e depois ela se vira para George e diz:
Petúnia: Querido vou precisar ir lá conversar com o fornecedor, mas daqui alguns minutinhos já estarei de volta. Tudo bem?
George assente afirmativamente com a cabeça, e Petúnia se vira para Gisele e pede:
Petúnia: Gisele você pode por favor fazer companhia ao meu sobrinho George enquanto vou conversar com o fornecedor?
Gisele: posso sim – ela fala sorrindo de forma prestativa
Petúnia: obrigada
Ao falar isso ela sai da sala deixando George e Gisele a sós.
Um fato em relação a George é que ele era bastante tímido, ele podia se sair bem conversando com pessoas que já conhecia, mas perto de novas pessoas ele ficava envergonhado.
Já Gisele por outro lado era mais desinibida, então logo ela trata de puxar conversa com George.
Gisele: oi meu nome é Gisele, eu tenho 8 anos e sou filha do novo administrador da fazenda, estou morando aqui com minha família a um mês, antes eu morava em Linton um pequeno povoado próximo de Cambridge. – Ela fala sorrindo se apresentando – seu nome é George, não é?
Timidamente George balança a cabeça afirmando
Gisele: eu tenho uma irmãzinha de 8 meses chamada Hanna. Você também tem irmãos?
Mais uma vez George simplesmente balança a cabeça negando
Gisele: aquela carruagem lá fora é sua?
George balança a cabeça afirmando que sim.
Gisele: Eu tenho um gato de estimação. Você tem algum animalzinho de estimação?
Novamente George balança a cabeça negando.
Pelo fato de George não falar nada, Gisele logo acha que ele poderia ser mudo.
Gisele: tadinho, você é mudo?
George: não, eu não sou mudo – ele fala perplexo com aquela suposição
Saber que George não era mudo deixa Gisele um pouco triste, pois ela estava tentando fazer amizade com o garoto, mas parecia que ele não estava com vontade de conversar com ela.
Gisele: achei que era, pois você somente balançava a cabeça quando eu te fazia alguma pergunta.
George: pois não sou! e talvez seja você que fala demais – ele fala com toda a arrogância e implicância, típica de um nobre.
Gisele: ah você é muito sem educação!
Ela fala ofendida e em seguida se retira da sala, deixando George sozinho
Por ter sido criado para ser um conde George estava acostumado com as pessoas o bajulado, essa era a primeira vez que alguém falava com ele daquela forma.
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